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:: Quinta-feira, Março 06, 2008 ::


Um time de Maracanã

No início do ano, ao fechar o ciclo de contratações, a diretoria do Flamengo batia no peito e dizia ter, enfim, montado um grupo experiente e pronto para disputar a Taça Libertadores. Nada que um jogo fora de casa contra uma equipe reconhecida no cenário internacional não pudesse jogar por água abaixo. Claro que todos esperavam dificuldades em Montevidéu diante do Nacional e sua torcida. O que não estava no roteiro era o despreparo dos jogadores rubro-negros diante da dificuldade. Toró agrediu o gandula, Leonardo Moura e Fábio Luciano, os adversários. Dois foram expulsos e puseram por água abaixo qualquer tentativa do Flamengo na capital uruguaia. O que mais preocupou o torcedor flamenguista não foi a derrota em si, mas as circunstâncias do resultado. E a equipe que conseguiu excelente arrancada no Brasileiro de 2007 parece disposto mesmo a aceitar o rótulo de "time de Maracanã". Debaixo das asas da torcida, os jogadores são imponentes, partem com tudo para cima do aversário, não agridem ninguém e portam-se como um verdadeiro esquadrão, consciente do que deve fazer para abater o rival sem piedade. Longe do gramado do Maracanã, o Flamengo torna-se um garoto frágil, medroso e descontrolado em situações de dificuldade. A hora agora é deixara a poeira abaixar, colocar a cabeça no lugar e entender que para ir longe, além de Campeonatos Estaduais e Copas do Brasil, é necessário portar-se com dignidade e hombridade fora de seus domínios. Caso contrário, é melhor o Flamengo desistir mesmo de disputar a Taça Libertadores e contentar-se, de vez, com a síndrome de "time de Maracanã".


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 21:20 ::
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:: Quarta-feira, Março 05, 2008 ::

Nada mais mágico

Que o time argentino do Arsenal tenha decepcionado. Pouco importa. O que ficará mesmo na memória será a inesquecível noite de gala tricolor. A classe exibida pelos tricolores no Maracanã foi tamanha que todos os seis gols da partida deveriam estar no Salão Nobre das Laranjeiras. E, como convidado especial, estaria Dodô. Aos 33 anos, ele mostrou o quanto sabe tratar com carinho a bola e como a magia ainda pode fazer parte do futebol. Seu segundo na partida, o quarto do Fluminense foi de genialidade ímpar. Thiago Neves observa para a grande área e, mais atrás, vê Dodô. Bem posicionado, o atacante parecia fazer pose para fotos ao bater na bola de primeira, quase um voleio, um chute perfeito que virou símbolo de uma atuação que há muito os tricolores não viam. Talvez tenha sido o retorno do pó-de-arroz às arquibancadas do Maracanã ou pelo simples retorno do clube às partidas da Libertadores no Rio. Certo é que a Máquina Tricolor virou orquestra e jogou por música. Como um maestro, regendo a grande noite, Dodô abriu os dois braços após a pintura assinalada e gritou, como se quisesse contemplar sua própria obra, "golaço!". Nada mais justo. Nada mais verdadeiro. Nada mais mágico.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 23:44 ::
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:: Terça-feira, Março 04, 2008 ::

Não é um qualquer

Palermo ficou conhecido no mundo do futebol ao perder três pênaltis em um só jogo na partida entre Argentina e Colômbia pela Copa América de 99. Desde então, foi rotulado de caneleiro. Injusto. Que o camisa 9 do Boca Juniors não sabe cobrar pênaltis, não se discute. Assim como o seu faro de artilheiro. Hoje, Palermo teria vaga de titular em qualquer clube brasileiro. Forte fisicamente, com excelente presença de área, bom pelo jogo aéreo e bom finalizador com a perna esquerda. Quem no Brasil não gostaria de ter um jogador assim? Ao chegar aos 180 gols com a camisa do clube xeneize, Palermo entrou para a história de La Bombonera. Certamente marcará mais um gol em breve e deixará Varallo para trás, ficando isolado no trono de goleador-mor do Boca. Perder três penalidades naquela partida em 99 cirou-lhe um rótulo. Mas a cada jogo, a cada conquista de Libertadores com o Boca e cada jogo na pulsante Bombonera, Palermo deixa com vergonha quem o já chamou de caneleiro. Afinal, envergar a camisa 9 do Boca Juniors durante anos e tornar-se o maior artilheiro de um dos clubes mais vencedores do mundo não é mesmo para um qualquer.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 20:56 ::
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:: Segunda-feira, Março 03, 2008 ::

Óbvio ululante

Leandro Amaral surgiu como uma ótima promessa na Portuguesa, há 11 anos. Foi vendido para a Fiorentina ainda garoto, com um grande futuro pela frente. Não vingou. Depois de grave lesão no joelho direito, rodou por grandes clubes paulistas, teve sua chance, mas não aproveitou. Sumira. Aos 29 anos, acertou contrato com o Vasco. Ganhou uma nova oportunidade num grande centro. E o casamento deu certo, a química funcionou. Mesmo sem conquistar títulos, virou ídolo, batia com força no peito, puxava a cruz de malta da camisa vascaína e a beijava como um símbolo de sua ressurreição. Meses depois, o atacante que reencontrou a bola e os holofotes na Colina se esqueceu de tudo. Virou as costas para o Vasco e, principalmente, para a torcida que o acolheu e o embalou por tanto tempo. Leandro preferiu os cifrões e o canto da sereia tricolor à gratidão de toda uma torcida. Não entedeu que, ainda que quisesse sair, haveria um caminho pacífico. Bastava ser claro, dizer que gostaria de ir embora e, grato, acharia a melhor maneira possível para que isso acontecesse. Na briga judicial, Leandro até conseguiu, com seus arrogantes doutores pomposos jurídicos, a fazer alguns jogos pelo Tricolor. Mas o que começa errado, termina errado. Agora à noite, a CBF acatou a nova decisão da Justiça e pôs Leandro novamente de braços dados com o Vasco. Uma pena que, como diria Cazuza, a emoção da torcida vascaína acabou. A música exaltando o jogador em São Januário nunca mais tocou. Pelo contrário. O ex-camisa 19 da Colina virou alvo de ira de seu antigo amor. Aos 30 anos, Leandro parecia ter reencontrado o caminho, feito as pazes com a carreira. Mas insistiu mesmo em brigar consigo mesmo, foi atrás da trilha mais difícil. Agora, enfrenta os espinhos dessa dura caminhada. Quando voltará a jogar, não se sabe. Mas Leandro não enxergou o óbvio ululante. Sucesso e idolatria de uma torcida não são encontradas em qualquer esquina. E paz e reconhecimento, muito menos. Uma grande pena.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 23:42 ::
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Efeito colateral

Souza recebeu severas críticas ao comemorar o gol contra o Cienciano ironizando o Botafogo, ao fingir que enxugava as lágrimas de um sofrido choro. Uma das opiniões mais insanas dizia até que a comemoração do jogador talvez instigasse os torcedores a apelarem à violência para resolver a questão. Pura bobagem. Tamanha repercussão sobre o assunto só lhe deu maior dimensão. Valdivia, do Palmeiras, imitou Souza após marcar um gol diante do Corinthians. Desrespeito? Não, apenas uma homenagem à irreverência do futebol, alvo de críticas severas e insensatas. A graça do mundo da bola sempre esteve nas provocações feitas por estrelas como Túlio Maravilha, Romário, Viola, Renato Gaúcho e Paulo Nunes. É uma das vértices que sustenta o futebol e o torna o esporte das massas. Provoca-se num dia, se é provocado em outro. O próprio Flamengo de Souza foi vítima do mesmo deboche. Alexsandro, atacante do modestíssimo Resende, comemorou o gol sobre o Rubro-negro no Maracanã com o mesmo chororô e, de quebra, a dança do créu. Nada mais saudável e gostoso. Menos de uma hora depois, o Flamengo virou a partida e, ao ser substituído, Alexsandro recebeu o troco. Viu e ouviu toda a torcida rubro-negra no Maracanã ironizá-lo ao dançar o créu. Do banco de reservas, sentado, Alexsandro sorriu. De maneira sincera, achou graça por estar participando de uma imensa brincadeira. Como um garoto. Após a partida, ninguém morreu, não houve briga e o atacante do Resende não foi ameaçado. E, sisudos, os críticos da divertida comemoração de Souza talvez tenham se arrependido. De tanto se falar e condenar o chororô divertido, ele já se propaga pelo restante do futebol brasileiro. Como um lindo efeito colateral.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 01:56 ::
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:: Sábado, Março 01, 2008 ::

Bastou enxergar o óbvio

No início do ano, Renato Gaúcho bateu o martelo: o seu Fluminense jogaria com os três atacantes contratados pelo patrocinador, sim. Estariam lá, lado a lado, Dodô, Washington e Leandro Amaral. E azar dos avisos de que a tática não daria certo. Pois bem, lá foi o Tricolor, rumando pela Taça Guanabara com seu trio de ouro. Contra adversários de menor porte, os "três tenores" até conseguiram brilhar. Mas parou por aí. Com a irritação da torcida e as críticas da imprensa, o Fluminense foi eliminado da Taça Guanabara. E Renato repensou. Contra a Cabofriense, hoje, optou por dois atacantes - embora não pudesse contar com Leandro Amaral, impedido pela Justiça - e dois apoiadores. O mesmo argentino Conca, relegado ao banco pelo próprio Renato no Vasco, deu as caras na equipe titular tricolor. E a equipe fluiu bem, tanto pelas pontas quanto pelo meio. Tudo bem, o adversário era a Cabofriense. Mas a equipe fluiu muito bem durante toda a partida, fato comentado até pelos próprios jogadores. Bastava a Renato Gaúcho enxergar o óbvio. Três atacantes podem, sim, jogar juntos. Mas Dodô e Washington têm as mesmas características. Era ter melhor optado, desde o início, por um apoiador. Talvez o técnico tricolor tenha visto a tempo o erro que cometeu. Sorte da torcida tricolor. Sorte do próprio treinador. Pois mais um pouco de teimosia colocaria em risco toda a campanha no Carioca.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 20:55 ::
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:: Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008 ::

O que está se passando?

Adriano saiu novo do Flamengo, em 2000, rumo à Europa. Virou garoto-revelação no Parma, ídolo na Fiorentina e ganhou o apelido de Imperador na Internazionale. Na Seleção Brasileira, foi herói de um final emocionante de Copa América contra a Argentina. De novo contra os hermanos, arrebentou na final da Copa das Confederações de 2005. E entrou em sua derrocada. Por quê? Poucos lembram que, pouco depois da final da Copa América em 2004, Adriano perdeu o maior incentivador, o pai Almir. Ainda segurou a barra por um tempo, mas a cabeça desmoronou sem o espelho do lado. Logo após a final da Copa América, Adriano lamentava mutio em entrevistas e externava o baque que fora a perda repentina do pai, que já convivia há alguns anos com uma bala alojada na cabeça. Por isso, o mundo na Internazionale ruiu e a Copa de 2006 transformou-se em um fracasso. A volta ao São Paulo seria o retorno aos bons tempos. A recuperação para um garoto que perdeu o pai que tanto o incentivara a entrar no mundo da bola. Caso voltasse a jogar o que sabe, seria presença certa na Seleção de Dunga. Mas não. Adriano continua arranjando encrenca, ameaçando jornalistas. O camisa 10 do Morumbi tem sua dose de razão quando diz que todo incidente seu ganha proporção enorme. Um simples atraso em treino transformou-se num circo. Mas a tempestade vem do mesmo tamanho de sua fama. Não custa nada a Adriano tentar colocar a cabeça no lugar. Apenas tentar. Caso contrário, aos 25 anos, o jogador que já foi chamado de Imperador e temido pelos zagueiros adversários poderá se tornar numa simples e triste sombra.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 22:36 ::
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:: Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008 ::

Um bom exercício

Domingo, decisão da Taça Guanabara 2008 entre Flamengo e Botafogo. Indignados com a atuação da arbitragem, jogadores alvinegros e o técnico Bebeto de Freitas choram no vestiário ao comentar a atuação de Marcelo de Lima Henrique no clássico. A imagem rodou o país. Quarta-feira, Flamengo e Cienciano pela Taça Libertadores. Após marcar o primeiro gol rubro-negro, o atacante Souza comemora imitando o gesto de enxugar as lágrimas dos olhos após debulhar em lágrimas. Insensatez? Não, apenas um bom exercício no mundo do futebol. Algo comum no passado, a ironia ao rival praticamente sumiu do mapa nos dias atuais. Rodeados de assessores que os transformam em robôs, a grande maioria dos boleiros de hoje se resumem a frases previsíveis e receio ao comentar qualquer coisa sobre o adversário. Souza é uma das raras exceções de hoje. Muitos o condenaram, afirmando que essa prática só incita a violência nas arquibancadas e a rixa entre torcidas. Mas o atacante rubro-negro e seu jeito irreverente nas comemorações nada tem a ver com a debilidade dos animais que povoam e destroem a vida pacífica dos estádios de futebol. Ao contrário. Provocar os rivais traz graça, folclore, ainda mais se no momento apropriado. É, sobretudo, um bem a um futebol que anda carrancudo demais para quem tem, entre tantas outras, a alcunha de alegria do povo.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 00:47 ::
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:: Quarta-feira, Novembro 28, 2007 ::

Média provinciana

Eis que a poucos dias da entrega dos prêmios de melhores do Brasileiro, a CBF inventa um exclusivo para a torcida do Flamengo. O "Troféu Torcida de Ouro" será entregue à Nação Rubro-Negra no Teatro Municipal, no Rio de Janeiro, mas quem se comoveu com a atitude da cartolagem brasileira, esqueça as lágrimas e a emoção. Fica claro o intuito da CBF de prosseguir com a tática do morde e assopra. Recusando-se sempre a reconhecer o óbvio, o fato de o Flamengo ser cinco vezes campeão nacional, e pronta a entregar a horrorosa "Taça de Bolinhas" ao São Paulo, a maior entidade do futebol nacional vê na possibilidade de homenagear a torcida uma chance de fazer média com a maior torcida do país. Afinal, é feio, muito feio não reconhecer o Flamengo de 87, que tinha Zico, Zinho, Leandro, Leonardo, Bebeto, Renato Gaúcho entre outros, como o verdadeiro campeão nacional daquele ano. Premiar a torcida com um troféu criado às pressas é simplesmente querer tapar o sol com a peneira. Uma média provinciana.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 16:56 ::
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:: Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007 ::

Superação do absurdo

E o Flamengo, enfim, estreou na Taça Libertadores. O empate em 2 a 2 soou para os rubro-negros como uma verdadeira vitória. Não que o time do Real Potosí seja de exrema dificuldade. Longe disso. A verdadeira batalha na cidade boliviana que dá parte do nome à equipe local foi contra a temível altitude. A quatro mil metros acima do nível do mar, ficou clara a dificuldade encontrada pelos jogadores flamenguistas na primeira rodada da Libertadores. Parecia mesmo uma autêntica disputa de futebol de sabão, em que os jogadores tinham todos os cuidados com seus movimentos, muito lentos, e a tentativa em bater na bola de determinada maneira. Às vezes a pelota ia muito forte e em outras, muito fraca. Acostumado à desumana altitude, os bolivianos se aproveitaram e abriram vantagem de dois gols no primeiro tempo, um deles em claro impedimento de Aguilera. Com raça e determinação, o Flamengo de Ney Franco já deu uma prova de como irá encarar esta competição em 2007. Empatar uma partida que parecia perdida, ainda que, também, com um gol em impedimento, foi um feito considerável. A cena do jovem Renato Augusto, de apenas 19 anos, em busca do balão de oxigênio à beira do gramado foi emblemática. E traz à cabeça de todos nós o questionamento de tentar entender porque a Fifa, tão preocupada com mesquinharias no futebol, permite que uma partida seja disputada a quatro mil metros de altitude. Deixar que atletas profissionais se submetam a tamanho esforço e que adversários que em nível do mar seriam inofensivos, como o Real Potosí, possam aprontar das suas. Repensar essa situação seria o mais prudente. E não deixar que objetos curiosos, como a câmara hidrobárica utilizada pelo Flamengo, façam parte do mundo do futebol.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 02:28 ::
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:: Terça-feira, Fevereiro 13, 2007 ::

Todos na torcida

Não é nada, não é nada, mas como foi gostoso ver Guga vencer novamente. Foram longos e tenebrosos 17 meses sem ver o brasileiro sair de quadra com um sorriso no rosto, punho em riste e com o tradicional autógrafo na lente da câmera de televisão. Tudo bem que o tenista subirá cerca de trezentas posições na lista, mas isso é o que menos importa. Ver o brasileiro derrotar novamente um adversário de nível razoável como o italiano Volandri foi gratificante. Difícil ver no Brasil que não sofra com a luta quase interminável do brasileiro contra seus problemas físicos. Sim, porque Guga foi parado apenas pelas dores no quadril e as cirurgias subsequentes. Seu nível técnico não decaiu assustadoramente de uma hora para outra e tampouco ele deixou de se dedicar ao esporte para gastar algumas horas em comerciais publicitários ou praias do mundo afora. É um tenista excepcional que perdeu alguns anos de carreira com graves problemas físicos. Mesmo que Guga nunca retorne ao nível que o levou ao topo do mundo, estaremos torcendo por ele. Ao contrário de muitos outras modalidades, o tênis é um esporte individual. Cabe somente a ele decidir quando parar. Por enquanto, Guga continua de cabeça em pé, encarando com naturalidade as críticas que vem recebendo. Se fosse um país que valorizasse ídolos, Kuerten teria uma estátua em cada praça brasileira como homenagem aos serviços prestados. Continuemos, então, a torcer para que o sorriso ao fim de uma partida se repita cada vez com mais freqüência.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 22:29 ::
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Nova mentalidade

O clássico entre Flamengo e Botafogo, no último domingo, foi exaltado por imprensa e torcida. Há tempos esse fenômeno não acontecia. Até mesmo os mais ranzinzas, que insistem em achar que o futebol existiu até a década de 70, deram a mão a palmatória e concordaram que os dois times cariocas presentearam os cerca de trinta mil torcedores que estiveram no Maracanã. Belos gols, jogadas bem construídas e o mais importante: a busca incessante pelo ataque, o tempo. Isto é apenas reflexo de uma nova safra de treinadores que surge no futebol nacional, no domingo representada por Cuca e Ney Franco. Estudiosos da bola, os dois treinadores refutam a idéia de que antes de atacar é necessário defender. Para eles, mais vale a busca do gol adversário do que a preocupação excessiva com o próprio. Daí o futebol vistoso e bem jogado de domingo. Óbvio que as duas equipes contavam com jogadores capazes de fazer a alegria da galera como Dodô e Zé Roberto, do lado alvinegro, e Renato e Obina (sim, Obina) do lado rubro-negro. Ao lado de Cuca e Ney Franco, caminha Renato Gaúcho, técnico do Vasco, que não se furta de mandar o time ao ataque. O resultado está aí: 13 gols em quatro jogos na temporada. Para o bem do futebol, urge que a era de Celso Roth tenha, finalmente, ido embora.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 15:34 ::
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:: Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007 ::

Pura emoção

Antes mesmo de a bola rolar no clássico do Maracanã, a emoção já tomava conta. As homenagens das torcidas de Flamengo e Botafogo ao menino João Hélio, brutalmente assassinado por marginais no Rio de Janeiro, deu um nó na garganta de todos. Dentro de campo, não faltou emoção num clássico disputado em alta categoria, com belos gols e jogadas bem tramadas. Dodô e Obina, cada um de seu lado e as seu estilo, contribuíram para o clássico e provaram porque são os maiores ídolos de suas torcidas. No jogão no Maracanã, Flamengo e Botafogo mostraram que são sérios candidatos ao título da Taça Guanabara por terem realizado um trabalho sério e planejado. Quem agradece com isso é o futebol carioca, que nos últimos anos vem demonstrando que os campeonato estaduais ainda são o grande centro das saudáveis rivalidades no Brasil. E ainda há muitos jogos a caminho. Sorte nossa.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 15:19 ::
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Fênix da Bola

Faço coro com Eduardo Tironi em sua coluna no Diário LANCE!: não houve como não se emocionar com os três gols de Romário diante do Volta Redonda e torcer pela sua luta em busca do milésimo. Romário é um personagem especial na história do futebol. Até hoje escreve um dos mais belos capítulos do mundo da bola, com jogadas geniais e gols tão simples quanto fantásticos. Mas uma peculiaridade lhe difere de os outros. Aos 41 anos, o Baixinho novamente no sábado ressurgiu das cinzas, tal qual uma fênix da bola. Cada vez mais, o camisa 11 vascaíno é capaz de surpreender todos que insistem em decretá-lo acabado para o futebol. Óbvio que o futebol de hoje nem mesmo faz sombra àquele que encantou o mundo na Copa do Mundo de 94. Mas Romário é mesmo genial. Em 2000, conseguiu o feito de marcar 74 gols numa temporada em jogos por Vasco e Seleção Brasileira. E já tinha 34 anos. Em 2005, foi bombardeado por críticas de todos os lados, nos que insistiam em dizer que apenas atrapalhava o Vasco no Campeonato Brasileiro. Pois bem, mesmo com 39 anos e rivalizando com garotos, lá estava o Baixinho novamente como líder da artilharia de uma competição, com 22 gols. Em sua reestréia nos gramados brasileiros na última quarta-feira, o Vasco perdeu e a culpa caiu sobre o Baixinho. Quatro dias depois, Romário entra no segundo tempo contra o Volta Redonda e rouba a cena e as manchetes dos jornais cariocas: faz três gols, diminiu para dez a distância para o milésimo e é aclamado em São Januário. Fica mesmo difícil de duvidar de alguém que, a cada momento difícil, mostra com gols a sua resposta. Que o milésimo chegue logo e Romário pendure as chuteiras como sempre esteve na carreira. Apenas escrevendo linhas inesquecíveis no mundo da bola.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 15:05 ::
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Triste reprise

2006 acabou para o alívio de vários tricolores. Foram seis técnicos e campanhas vexatórias em todas as competições. Virada de ano, esperança renovada e 17 novos reforços chegaram às Laranjeiras. Desta vez, comentavam nos bares do Rio de Janeiro, o Fluminense faria valer seu papel de time carioca mais bem preparado. Ao contrário do ano anterior, as contratações dessa temporada foram bem feitas, com o ídolo Carlos Alberto de volta e a dupla-sensação do Figueirense Cícero e Soares. Tudo pronto, tudo muito bem, mas talvez a diretoria tricolor ternha se esquecido do óbvio: Paulo César Gusmão não seria o mais indicado para comandar o novo elenco. Era apenas questão de tempo a demissão do técnico, que chegou em 2006 apenas com a incumbência de livrar o time da Segunda Divisão. Feito isso, era dar adeus e agradecer ao treinador. Mas não. Uma pré-temporada de quase um mês na Granja Comary e cerca de quarenta dias de preparação foram por água abaixo coma derrota para o América no último sábado. De novo, frustração, vaia da torcida e a demissão de um treinador na troca de turno. Às vésperas do Carnaval, a torcida tricolor já vive um clima de Quarta-Feira de Cinzas. E provavelmente verá o desfile dos rivais Flamengo, Botafogo e Vasco nas semifinais da Taça Guanabara. Falta enxergar os simples nas Laranjeiras.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 14:54 ::
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:: Terça-feira, Janeiro 30, 2007 ::

O primeiro tropeço

Não demorou mais do que uma rodada e o primeiro tropeço de um clube grande no Campeonato Carioca já aconteceu. Verdade que muitos lembrarão que o Botafogo empatou com o Madureira em pleno Maracanã já na primeira rodada. Mas é na derrota do Fluminense para o Volta Redonda, no último domingo, que reside a maior frustração da competição até agora. Talvez porque o Tricolor tenha, novamente, se tornado o foco das atenções neste início de temporada. Nada mais, nada menos do que 18 jogadores foram contratados, inclusive alguns medalhões, como Carlos Alberto e Alex Dias, fontes de esperança da torcida tricolor. E aconteceu mais uma vez. Não já desculpas para a primeira derrota do Fluminense. Calor, falta de entrosamento, início de temporada não servem, de maneira alguma, como desculpa. E o técnico Paulo César Gusmão tem a chance de provar que é, sim, um bom treinador. Bons jogadores para formar uma equipe vencedora e que escreva belos capítulos no livro da história das Laranjeiras. O correto, agora, é manter a cabeça no lugar e lembrar que, por decisões desenfreadas, a temporada 2006 naufragou e quase marcou mais um ano trágico na história do clube. A Taça Guanabara ainda está em jogo para o Tricolor. Basta ter calma.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 15:13 ::
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:: Sábado, Janeiro 27, 2007 ::

Em busca do sorriso perdido

O pesadelo vivido por Ronaldo no fim de sua passagem pelo Real Madrid parece estar no fim. Bom para ele, para os clubes espanhol e italiano. O Fenômeno que chegou a Madrid há quase cinco anos, renovado com a volta por cima na carreira e na vida, com um sorriso permanente no rosto, não existe mais. Tornou-se um jogador tachado de gordo, preguiçoso e fanfarrão. Nada a ver com a história que certamente será contada sobre Ronaldo nos livros de futebol. A transferência para o Milan sela um namoro antigo, que parecia improvável, mas veio bem a calhar. Dependerá apenas do Fenômeno as linhas a serem traçadas em sua segunda passagem por Milão. Certamente será a última oportunidade de se manter no futebol de alto nível da Europa. A imagem do camisa 9 anda desgastada e precisa de reparos com urgência. Não é mais raro encontrar, hoje, quem acredite que a boa fase da carreira do menino que foi tetracampeão mundial aos 17 anos já tenha chegado ao fim. Talvez longe das tentações da noite de Madrid, Ronaldo consiga recolocar a cabeça no lugar e mostrar o futebol que o consagrou em todo o mundo. Ao seu lado, terá jogadores do mais alto nível, como Kaká, Pirlo e Seedorf. Não chegar como messias será bom. Pelo sorriso demonstrado pelo brasileiro em sua chegada ao Giuseppe Meazza, para assistir à partida do futuro time, uma mudança de ares é mais do que fundamental. O ciclo no Real chegou ao fim, mas cabe ao "trintão" mostrar com a camisa rubro-negra italiana que ainda tem muita gente a encantar com gols e arrancadas. Que assim seja.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 02:01 ::
...
:: Sexta-feira, Janeiro 26, 2007 ::

Tempero a mais

"Os pequenos não terão chance dessa vez", bradou o técnico vascaíno Renato Gaúcho a poucos dias do início do Campeonato Carioca deste ano. Muitos desconfiaram, alguns torceram o nariz e outros concordaram com a afirmação do treinador. Pelos resultados da primeira rodada, o caminho deve ser mesmo o indicado por Renato. Nenhuma grande surpresa no início da Taça Guanabara. O Fluminense, seu favoritismo e as 18 contratações encontraram muitas dificuldades diante do bom esquema tático do Friburguense. A magra vitória de 1 a 0 trouxe, porém, um dado importantíssimo no futebol e muito raro no Tricolor de 2006: a gana pela vitória. Mas PC Gusmão, agora, tem a chance de provar que pode montar, sim, um bom time com belas peças. No mesmo grupo, o Vasco mostrou a sua velha eficiência de 2006, reforçada pelo brilhantismo do argentino Darío Conca. Cada vez mais maduro como treinador, Renato ajusta as peças que tem em mãos como quer e tem um elenco sedento por triunfos, uma ótima aposta. Já o Botafogo, com Cuca, vacilou no seu primeiro jogo, mas a estréia de Dodô nas próximas rodadas dará o poder de fogo necessário ao time para partir com tudo rumo ao bi. Da Gávea veio a mais surpreendente e eficiente estréia no Carioca. Numa bela exibição no primeiro tempo, Ney Franco demonstrou ter organizado bem a equipe. Apesar dos vacilos da nova zaga formada por Irineu e Moisés, Juninho Paulista mostrou que ainda pode ser útil, principalmente se somado ao talento do promissor Renato Augusto e do talismã chamado Obina. Sem muitas chances para os pequenos, o Carioca começa com bom público nos estádios, empolgação das torcidas e promessa de muito mais por aí. Há tempos o Campeonato Carioca não ganhava um tempero a mais no seu já tradicional charme.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 00:53 ::
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:: Domingo, Julho 09, 2006 ::

Porque o futebol apaixona

A Copa da Alemanha chegou ao fim e brindou o mundo com mais uma seleção tetracampeã. Com méritos, os italianos chegaram ao seu quarto título mundial, mas a decisão em Berlim apresentou os elementos que justificam porque o futebol apaixona. Era dia da despedida épica de um dos maiores jogadores da história, Zinedine Zidane. Como quem brincam com os acontecimentos, os deuses do futebol mudam os destinos em minutos. O script parecia estar definido para uma aposentadoria memorável do maestro francês, mas, como em um bom filme, o mocinho rapidamente se transformou em vilão. Do heroísmo na maneira soberba em que cobrou o pênalti na final de uma Copa, Zizou decepcionou ao desferir uma cabeçada certeira no peito do italiano Materazzi e ser expulso. A mesma cabeça que, minutos antes, quase sacramentou o final épico ao mandar a bola com violência para o gol italiano, salva pelo excelente goleiro Buffon. Com seu maior astro fora de campo, passando numa imagem simbólica ao lado da Taça Fifa, a França ainda sofreria com as coincidências. Trezeguet, autor do gol do título da Eurocopa 2000 contra a mesma Itália, foi o único a desperdiçar a cobrança na disputa que resultou no tetra. Como mais um capricho dos deuses da bola, foram 24 anos para os italianos poderem soltar o grito de tetra, assim como o Brasil em 94. Também na conquista do seu último título mundial, em 82, o futebol italiano vivia um escândalo de esquemas de resultados. Mas não tinha jeito, estava escrito. Porque em 90, a Alemanha foi campeã na Copa da Itália. Porque em 2006, a Itália foi campeã na Copa da Alemanha. Porque o futebol é assim. Simplesmente apaixonante.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 17:50 ::
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:: Sábado, Julho 08, 2006 ::

Por uma nação

Antes do início da Copa do Mundo, Klinsmann foi ridicularizado. Dizia-se que o ex-jogador não conseguiria fazer com que a Alemanha tivesse um papel digno dentro de casa. Pois sim. A cada gol marcado pelos germânicos, o técnico pulava como um torcedor em qualquer bar, rua ou até mesmo arquibancada do país. Antes mesmo do início do Mundial, Klinsmann uniu o país ao dizer que os jogadores iriam lutar pelo primeiro título da Alemanha unificada. As três taças anteriores foram conquistadas pela Alemanha Ocidental. A bela festa feita pela anfitriã emocionou e derreteu o tradicional gelo dos alemães. Bandeiras, cantorias e alegria pelas ruas. Mesmo com um terceiro lugar, os donos da casa entenderam que o papel foi cumprido. Organizaram com ninguém, moveram todo um país e se despediram de maneira honrosa. Assim como Portugal. Felipão, quem diria, repetiu o feito de 1966 e colocou os lusitanos entre os quatro melhores do mundo. Com belas imagens, explosões de alegria, a Copa vai chegando ao fim. Como diz o lema, é mesmo tempo de fazer amigos. Aí reside a magia de uma Copa do Mundo. Em torno de um objetivo dentro das quatro linhas, foi unido um país.
Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 23:56 ::
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