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:: Domingo, Março 28, 2004 ::


Ian Thorpe fora: quem perde são os Jogos

Seletiva olímpica australiana dos 400m livre em natação. Na raia número quatro está Ian Thorpe, detentor dos recordes mundial e olímpico da prova. Thorpe queima a largada e é eliminado da seletiva. Os próximos Jogos Olímpicos de Atenas não terão o nadador australiano em raia alguma na prova dos 400m livre. Lamentável. Desde 1998, Ian Thorpe é soberano na disputa da prova. Em 2000, nas Olímpiadas de Sydney, o australiano venceu quase todas as provas que disputou. Nos últimos mundiais disputados, o mesmo aconteceu. O técnico do nadador entrou com um recurso contra a eliminação, que foi negado pela organização do torneio. É incompreensível que o treino, a dedicação de um dos melhores nadadores do mundo sejam em vão por menos de um segundo, o tempo que o nadador se desequilibrou e caiu na piscina. "Faz parte do jogo", dirão muitos. É verdade, faz parte, como diria o filósofo Kléber Bambam. Mas, neste caso, retirar uma estrela do show por um mero acaso do destino é burrice. Quem perde com tudo isso somos nós e, principalmente, Atenas. As Olimpíadas gregas começam mal.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 21:26 [+] ::
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:: Sábado, Março 27, 2004 ::

Ronaldinho Gaúcho: melhor futebol do mundo

Ronaldinho Gaúcho está jogando o fino no Barcelona. Há nove rodadas no campeonato espanhol o time catalão sai de campo vitorioso e o grande responsável é o meia brasileiro. Ronaldinho tem um excelente preparo físico, uma técnica excepcional, inteligência, vê o jogo como ninguém. São características inerentes aos jogadores que escrevem seu nome na história do futebol mundial. O marketing do camisa 10 do Barcelona, ao contrário de muitos, é feito com a bola nos pés e não por meio de campanhas sociais, belas entrevistas e declarações de efeito. Não é à toa que Romário considera Ronaldinho o "último romântico" do futebol brasileiro. É prazeroso vê-lo em campo, dar passes de efeito, fazer lançamentos magistrais e marcar golaços. Ronaldinho não é craque. É gênio. Não demorará muito para que seja consagrado pela FIFA. Se continuar jogando desta maneira, o título de melhor do mundo poderá vir já na próxima temporada. O futebol sorri. E, sinceramente, agradece. Obrigado, Ronaldinho.


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:: Sexta-feira, Março 26, 2004 ::

Tamburello, a última curva

Um piloto discreto que vivia insistentemente sob os holofotes da imprensa por conta de seu sucesso. A carreira de Ayrton Senna sempre transcorreu desta maneira. A morte do mito Ayrton Senna proporcionou várias discussões. Desde a segurança nos carros de Fórmula 1 até a perda de um dos maiores ídolos da história recente brasileira. Era mais um Domingo comum aquele primeiro de maio de 1994, dia mundial do trabalho. Até às nove horas e doze minutos de Brasília. Neste exato instante, a Williams Renault FW 16 de Ayrton Senna da Silva se chocou contra o muro da curva Tamburello, no circuito de Ímola, na Itália. Logo se viu que a situação não era nada banal, muito pelo contrário. Mas havia a esperança, em milhares de lares brasileiros, de ver Senna sair tranqüilamente da Williams, retirar o capacete amarelo e andar em direção aos boxes. Nada aconteceu. Com grande atraso, a equipe médica chega ao local do acidente. A cabeça se move. A esperança ressurge e perdura até às 14 horas e cinco minutos quando o repórter da Rede Globo Roberto Cabrini anuncia para todo o Brasil a morte do ídolo. Do mito.
A cobertura da morte de Ayrton Senna levou dias. Foram manchetes em jornais, capas de revistas, programas especiais. Em um primeiro momento, a mídia brasileira preocupou-se em dar notícia da morte de Ayrton Senna, mas muito mais em demonstrar sua biografia. Jornais de grande circulação como O Globo, o Jornal do Brasil e a Folha de São Paulo estamparam em suas capas manchetes como "Brasil perde Senna"; "Brasil chora por Senna". Revistas como Veja e a especializada em automobilismo Grid escreveram em suas capas, respectivamente, "A tragédia dobrou o Brasil" e "Ayrton Senna, a história do mito". A comoção nacional foi tamanha com a morte do piloto que chegou a surpreender muitos meios de comunicação que, no início, não cobriam maciçamente o incidente. A Rede Globo totalizou 48 horas de cobertura ao vivo, que envolveu 150 profissionais até o enterro. Além disso, a emissora cancelou várias entradas de anúncios na programação e gastou quinze mil dólares somente com o canal de satélite aberto durante quarenta minutos para uma transmissão de oito diretamente da fábrica da equipe Williams na Inglaterra. Os números de audiência eram comparáveis a transmissões de Copas do Mundo, Olimpíadas e outros grande acontecimentos.


A transmissão ao vivo do enterro do piloto proporcionou também momentos, no mínimo, irônicos. Muitos repórteres incorporaram a comoção nacional e chegaram a chorar durante a transmissão ou a se perder em determinadas frases. "Acostumados à velocidade, os pilotos tiveram de andar lentamente enquanto carregavam o caixão", afirmou o repórter da Rede Globo Brito Júnior durante o enterro. A vida íntima do piloto foi explorada em dezenas de revistas e programas de televisão. Uma suposta filha do piloto com a modelo Marcella Prado veio à tona. Todos os lados da vida do piloto foram expostos e excessivamente abordados.
A trágica morte de Ayrton Senna reforçou ainda mais a idéia de que o piloto era um mito, um herói. Muitos brasileiros entrevistados após sua morte afirmavam que se sentiam tristes porque Ayrton era como "se fosse alguém de suas famílias". É o que escreveu a revista Manchete em sua edição especial sobre o acidente. "O país ficou de luto: Senna fazia parte da família brasileira." A cobertura da morte de Ayrton não se limitou a um acompanhamento de diarista das notícias. Era muito mais do que isso. Percebendo a grande comoção que tomava conta do país, os veículos de comunicação reforçaram a importância do piloto enquanto símbolo brasileiro e tentavam consolar o público com adjetivos como "melhor piloto do mundo"(Veja); "maior piloto dos tempos atuais"(Manchete); "o miraculado que viu Deus foi para o céu afinal"(Manchete).
Senna passou, através da mídia, da condição de piloto para ídolo. De ídolo para herói. Com a morte, passou a ser eterno. Não foram poucos os veículos de comunicação que abordaram a possibilidade do piloto já ter antevisto a sua morte. A expressão preocupada, o olhar triste e distante nos boxes antes da largada em Ímola seriam indícios de que Senna já sabia que morreria e que sua missão estaria cumprida. "Antes da batida Senna parecia adivinhar" (Manchete); "Senna bem que avisou. E o pior acabou acontecendo"(Manchete); "Senna foi às pistas preocupado com a morte"(Veja).


Assim foi a relação de Ayrton Senna com a imprensa até a sua própria morte. Ironicamente, após o acidente, sua vida pessoal, sempre reservada, acabou virando notícia e sendo exposta em todos os meios de comunicação. Ele não tinha nada contra os jornalistas. Só não aceitava que a sua busca pela perfeição fosse interrompida por um pedido de entrevista ou uma declaração. Estava sempre concentrado em seu trabalho, em dar o melhor de si. Muitas vezes foi atacado pela mídia e muitas vezes se defendeu por meio dela. Escolhia quem o fotografava, quem o acompanhava, quem o entrevistava, pois sabia da grande responsabilidade que ela mesma - a mídia - havia colocado em suas costas: ser herói e símbolo de toda uma população. E assim Ayrton foi, é e sempre será. Sempre com orgulho e com a bandeira brasileira em punho. Para sempre Senna.



Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 00:24 [+] ::
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:: Quarta-feira, Março 24, 2004 ::

Senna e a Imprensa

Ayrton Senna possuía uma relação passional com os jornalistas: alguns eram amados por ele; outros eram odiados. Não gostava muito de dar entrevistas, de fazer comentários sobre as corridas ou sobre a própria carreira e evitava ao máximo falar de sua vida pessoal. Vários apelidos como "Magic Senna", Rei de Mônaco e Ayrton Senna do Brasil, assim como manchetes o classificando como "herói", "mito das pistas" eram comuns na vida do piloto. Porém, alguns episódios com a imprensa merecem destaque. Em 1988, Nelson Piquet, então frustrado ao perder o posto de melhor piloto brasileiro para Ayrton, concedeu uma entrevista ao Jornal do Brasil em que provocava Senna. Piquet pediu à imprensa que perguntasse a Ayrton por que é que ele não gostava de mulher. Senna não gostou, a briga acabou parando na justiça e Piquet acabou se retratando.
Este incidente pode ser encarado como um divisor de águas na relação do piloto com a imprensa. A vida pessoal do piloto, outrora tão à margem dos holofotes, passou, a partir deste momento, a ser tão destacada quanto o seu desempenho nas pistas. Suas possíveis namoradas ganhavam destaque na mídia e o romance que Ayrton teve com a apresentadora Xuxa Meneghel mereceu destaque internacional. No entanto, perante a mídia, o casal Xuxa e Senna era apenas uma estratégia bem lucrativa de marketing, o que deixou o piloto bastante irritado.
As desavenças entre Senna e o comentarista de Fórmula 1 da Rede Globo Reginaldo Leme são outro indicador da passional relação do piloto com os jornalistas. Após o Grande Prêmio do Japão em 1990, em que Senna se sagrara Bicampeão depois de uma batida com Alain Prost na primeira curva, Reginaldo Leme criticou duramente a atitude do piloto. Senna então passou a se recusar a dar entrevistas ao comentarista, do qual já havia sido amigo e a quem acusou de se aproveitar de sua imagem.
Já os jornalistas que conseguiam conquistar a confiança de Senna possuíam um belo material em suas mãos. Senna afirmava que se identificava com as pessoas que conhecia e o mesmo caso se aplicava aos jornalistas. "Quem eu conheço, naturalmente também me conhece e sabe exatamente a melhor hora de vir falar comigo, porque me vê trabalhando. Quem eu não conheço, claro, naturalmente fica para depois". Era difícil grande parte da imprensa saber o momento de falar com o piloto, e isso o incomodava bastante. Ayrton era preciso, genial e provocante em suas entrevistas. Além disso, sabia conduzi-las com rara habilidade. Senna sabia a hora certa de falar e a hora certa de se manter em silêncio. No Grande Prêmio do Japão em 1989, Senna e Prost bateram, mas o brasileiro voltou à pista e venceu a prova, o que lhe asseguraria o Bicampeonato. No entanto, sua vitória foi anulada sob a alegação de que retornara à pista de maneira irregular. O título ficou com Prost.
Poucos dias após a corrida, Senna reuniu a imprensa e concedeu uma entrevista coletiva acusando o então presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FISA), o francês Jean-Marie Balestre, de ter sido o responsável por sua derrota. Para Senna, o dirigente francês favoreceu Alain Prost, seu compatriota, e culpou grande parte da imprensa pela forma como o incidente fora conduzido. "Do jeito que as coisas foram tratadas, parece que cometi um crime. Fui penalizado. Quero que vocês julguem o que aconteceu pelas imagens no vídeo e não pelas minhas palavras", disse Senna na época. As declarações do brasileiro repercutiram muito mal perante Balestre, que exigiu uma retratação pública. No início, Senna resistiu. Ao ser convocado para uma audiência perante os juízes da FISA, o piloto teria sido arrogante e desrespeitoso, e puni-lo passou a ser uma questão de honra para a entidade. Mas em janeiro de 1990, a primeira lista com os pilotos participantes da temporada de Formula 1 não continha o nome de Senna. O piloto então cedeu e finalmente seu nome foi incluído na lista.
Em fevereiro do mesmo ano, Ayrton foi capa da revista brasileira Veja. Este foi outro grande marco na relação do piloto com a imprensa. A matéria rotulava Senna como uma pessoa que tinha uma "imagem asséptica de um robô bem planejado em que cada gesto tem uma razão de ser" e analisava toda a sua situação perante os cartolas do automobilismo. Classificar Senna era uma preocupação constante da matéria. Afirmações do gênero "suas respostas a perguntas diretas são sempre evasivas e sugerem mais do que foi dito" e "quando se encontra no Brasil ele está sempre fugindo, se escondendo nas casas dos pais" eram meras provocações ao ícone do automobilismo mundial em que se tornara Ayrton Senna da Silva.
Senna era retratado como uma pessoa de difícil convivência e era exposto como alguém que sempre cuidou de revestir sua vida e carreira com muita publicidade. Mas sempre uma publicidade em que o piloto mantinha estrito controle. Suas fotos divulgadas eram pré-selecionadas, de maneira que o piloto não aparecesse, de maneira alguma, em situações constrangedoras. Em um mundo em que a convivência e as amizades eram muito raras, como era da Fórmula 1, a revista conduz a matéria a ponto de descrever o piloto como um autêntico anti-social. Segundo a reportagem, Senna havia perdido a amizade de todos dentre mecânicos, pilotos e diretores, dado seu modo frio, exigente e extremamente racional com que lidava com as situações. Se por um lado o piloto era elogiado por seu estilo arrojado, em que sempre andava no limite, por outro era duramente criticado por cometer erros banais para um piloto de sua experiência e status.


Na visão da revista, Senna se julgava senhor das situações e sempre desejava mais alguma coisa. Bater todos os recordes possíveis, buscar a perfeição, mesmo que para isso precisasse passar por cima de regras pré-existentes. Esta característica voraz de Ayrton era bem destacada como algo que o piloto não tinha controle e que, invariavelmente, o colocava em confusões ou situações completamente inexplicáveis. Para isto, a revista ironiza um episódio ocorrido com o piloto no Grande Prêmio de Mônaco de 1988. Senna liderava a corrida com quase trinta segundos sobre o segundo colocado, Alain Prost. Mesmo assim, acelerava cada vez mais, buscando a perfeição a cada curva. De repente, na entrada do túnel, sua Mclaren se desgovernou e bateu de frente com o muro. Vem então a descrição da revista sobre a reação indiferente e fria do piloto: "Ele saiu, olhou a suspensão dianteira destruída, soltou um suspiro desconsolado e voltou a pé para os boxes."
Sob a sugestiva capa Senna, um herói e seus enigmas, a revista já apresenta seu propósito: arrancar de Senna a máscara de herói brasileiro e até mesmo mundial. Há várias perguntas irônicas e provocativas lançadas pela reportagem, principalmente, sobre a vida particular do piloto. Ayrton seria, como diz a capa, e mesmo depois de todo o frisson causado por ele, um enigma a ser decifrado por seus fãs em todo mundo. Seria mesmo o piloto namorado da apresentadora Xuxa Meneghel? Estaria um verdadeiro herói disposto a passar por cima de todos para alcançar seus objetivos? Ou seria Senna apenas um aficionado por motores, chassis e pneus? ("Quem conseguiria conviver com o piloto brasileiro?"). O piloto escuta, mas não ouve. Fala 24 horas sobre Fórmula 1, é uma máquina. Já Piquet não. Era considerado um piloto brincalhão, alegre e contador de piadas.
Senna não gostou da matéria publicada e ficou extremamente aborrecido. A partir deste ponto, nunca mais deu alguma declaração, entrevista ou teve qualquer contato com a Revista Veja. Simplesmente se fechou para ela. Senna era assim. Escolhia a dedo repórteres e fotógrafos que podiam entrevistá-lo e fotografá-lo. Quando era atacado ou se sentia traído, como no caso com a revista Veja, o piloto fechava qualquer possível abertura. E, como era característico de sua personalidade, rompia bruscamente. Não era um processo em que ia, ao poucos, simplesmente ignorando determinado repórter ou veículo de comunicação. Rompia bruscamente, de uma maneira bem seca em que as razões nem sempre ficavam bem claras.
Senna era extremamente fiel a quem o acompanhava desde o início da carreira. Era assim desde repórteres até patrocinadores. Desde o começo de sua carreira até a última corrida de sua vida o boné azul com o logotipo do banco brasileiro Nacional era uma marca registrada do uniforme do brasileiro. Com os repórteres a fidelidade era a mesma. Muitos eram estrangeiros, europeus ou japoneses, que se fascinaram com as exibições fantásticas daquele garoto de capacete amarelo. Ayrton preferia falar para a mídia européia. Por ser especializada, proporcionava ao piloto entrevistas mais técnicas, que abordavam mais o grande mundo do circo da Fórmula 1. A única exceção talvez fosse a imprensa britânica, que não construiu uma boa imagem do piloto durante sua passagem pela Inglaterra. E Senna retribuía aos repórteres com respostas dinâmicas, bem estruturadas e sempre com algo novo dizer. Ao contrário de pilotos europeus que, não importavam as circunstâncias, sempre repetiam o mesmo discurso - caso do inglês Nigel Mansell. Para Ayrton Senna, confiar em determinados repórteres era mais importante do que simplesmente ser destaque na imprensa do charmoso mundo da Fórmula 1.






Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 00:27 [+] ::
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:: Segunda-feira, Março 22, 2004 ::

Caros leitores do PAPO DA BOLA®, estamos começando hoje uma série de três matérias especiais em homenagem ao eterno Ayrton Senna, tendo como foco a sua relação com a imprensa. Serão publicadas nos dias 22, hoje,(Ayrton Senna do Brasil) 24(Senna e a Imprensa) e 26(Tamburello, a última curva). Esperamos que gostem da série. Equipe PAPO DA BOLA®



Ayrton Senna do Brasil

Ayrton Senna da Silva nasceu em 21 de março de 1960, na cidade de São Paulo. O piloto Ayrton Senna nasceu em 1981, na Fórmula Ford. Era a primeira vez em que Senna disputava um campeonato europeu e já conseguira a proeza de se tornar campeão tão cedo. O piloto começava a despertar o interesse da mídia e dos grandes chefes do automobilismo. Continuou sua carreira na Europa, passando e sendo campeão também pela Fórmula 3 inglesa até chegar, em 1984, à categoria máxima do automobilismo, a Fórmula 1. A Toleman-Hart foi sua primeira equipe, mas Ayrton já havia testado, em 1983, um carro de Fórmula 1. Naquele ano, Senna foi convidado a testar a Williams, uma das grandes equipes da categoria. Ayrton completou apenas uma sessão de testes e bateu o recorde de tempo da pista de Donigton Park. A imprensa mundial começava ali a descobrir um novo fenômeno do automobilismo. Nascia o mito Ayrton Senna.
São muitas as proezas de Senna ao longo de sua carreira. Todas elas acabaram por lhe render a imagem de mito, de alguém que veio ao mundo exclusivamente para superar todos os recordes, todas as dificuldades. Era o símbolo de um povo, uma nação. Galvão Bueno, narrador das corridas de Fórmula 1 no Brasil, lhe deu um apelido: Ayrton Senna do Brasil. Senna fazia questão e tinha consciência de sua importância enquanto símbolo brasileiro.
E era este símbolo brasileiro que fazia com que o Brasil acordasse aos Domingos pela manhã para torcer pelo triunfo daquele rapaz do capacete com as cores brasileiras. E como não lembrar do famoso Tema da Vitória, reproduzido em todas as quarenta e uma vitórias de Ayrton na Fórmula 1? Virou tradição, símbolo de orgulho nacional: brasileiros se reuniam muitas vezes para acompanhar um esporte com muito menos apelo do que o popular futebol. E, em caso de vitória, estampavam um sorriso no rosto ao escutar o Tema da Vitória e ver aquele brasileiro erguer a bandeira nacional no alto do pódio, cantando o hino. Em 1986, a Seleção Brasileira de futebol foi eliminada pela França nos pênaltis durante a Copa do Mundo do México. Ayrton Senna venceu uma prova de Fórmula um no fim de semana seguinte e deu início a um gesto que seria eternizado em fotos e vídeos: fez questão de carregar a bandeira brasileira dentro de seu carro após a vitória. Senna assumiu naquele fim de semana de 1986 o papel de vingador, representando o sentimento de toda uma nação. Foi exaltado em todos os veículos da mídia nacional e ganhou destaque em todo o mundo. Em 1984, durante o Grande Prêmio de Mônaco, Ayrton Senna voava a bordo de sua Toleman debaixo de uma chuva torrencial. Só não conseguiu sua primeira vitória na Fórmula 1 logo em seu primeiro ano porque, minutos antes de ultrapassar o líder, Alain Prost, a corrida já havia sido encerrada por ter sido considerada impraticável naquelas condições. O mundo se assombrava com o talento e com a coragem de um jovem piloto diante de condições tão adversas.


Senna recebeu críticas bastante favoráveis da imprensa especializada e o bom começo na Toleman lhe rendeu o convite para pilotar uma Lotus em 1985. Neste ano, venceu pela primeira vez uma prova na Fórmula 1, também debaixo de uma forte chuva em Estoril, Portugal. Nesta corrida o piloto ganharia um apelido da imprensa que o acompanharia por toda a carreira: "Magic Senna", dada a sua incrível virtude de pilotar muito bem e com muita segurança debaixo da chuva, característica rara em pilotos de Fórmula 1. Mas por que Ayrton Senna era visto como um mito, como um herói capaz de realizar as mais difíceis tarefas? Há nessa questão uma mistura de exaltação da mídia e de feitos realmente incríveis do piloto. Ora, como não destacar um piloto que, para vencer em seu país natal, guiou seu carro somente com a sexta marcha nas últimas voltas de uma corrida e cruzou a linha de chegada tendo espasmos musculares seguidos de um desmaio? Foi o que ocorreu no Grande Prêmio do Brasil em 1991.
A esta altura, Senna já era Bicampeão mundial de Fórmula 1 e tratado como ídolo no Brasil. São tantos os feitos de Ayrton Senna, como a vitória e a conquista de seu primeiro título em Suzuka, em 1988, onde largou em décimo sétimo e conseguiu vencer. No fim desta corrida, Senna afirmou "ter visto Deus" nas últimas curvas. Uma ótima oportunidade para a imprensa o qualificar como "ser de outro mundo" ou "ET". Para os rivais, virou motivo de ironia. "Ayrton tem um problema: ele pensa que pode se matar porque acredita em Deus.", disse seu rival Alain Prost após um incidente com Senna em 1989. Senna realizou grandes feitos e contou com a imprensa para divulgá-los e torna-lo, mesmo que essa não fosse essa a intenção do piloto, um herói, um mito das pistas.




Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 23:28 [+] ::
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:: Domingo, Março 21, 2004 ::

Athirson: um dos tantos mistérios do futebol

Athirson está de volta ao Flamengo. Bom ou ruim? Isto somente o tempo dirá. Mas o lateral é mais um dos tantos mistérios do mundo da bola. Revelado na Gávea, Athirson se destacou e foi para a Juventus, da Itália, sem que o clube rubro-negro recebesse um centavo por isto. Depois de um imbróglio na FIFA, ele voltou e o Flamengo, surpreendentemente, passou a deter apenas 45% dos seus "direitos federativos", sem explicação alguma. Muito bem. Mais uma vez o lateral foi para a Juventus, e desta vez o Rubro-negro, sem explicação alguma, perdeu todos os direitos sobre o jogador. Pior: ficou devendo 800 mil reais a Athirson por salários atrasados. E, hoje, o Flamengo anuncia que a dívida com o lateral foi negociada e ele está de volta. Fica só a pergunta: para onde foram os "direitos federativos" do jogador? Mistério. Mais um neste obscuro mundo do futebol. Se nos lembrarmos bem, temos mais alguns casos estranhos. Como não relembrar de Ronaldinho Gaúcho no Grêmio? O meia, um dos melhores do mundo, simplesmente avisou ao clube que iria para o Paris Saint-Germain. E foi. Depois de uma briga na FIFA, o clube gaúcho conseguiu receber uma ninharia, comparada, logicamente, ao real valor de um jogador do porte de Ronaldinho. Porém, mais estranho do que os fatos em si é a amnésia ocorrente em toda a mídia esportiva. Ninguém comenta mais esses casos absurdos. Atualmente, mais um caso neste mesmo gênero está ocorrendo. Falo de Morais. Assim como Athirson, foi revelado por um clube, no caso o Vasco, e ao fim do seu contrato está indo embora. Com um agravante: segundo notícia do colunista Renato Maurício Prado, do jornal O Globo, a jovem revelação está acertando com o Flamengo, sem compensação financeira alguma para o clube de São Januário. Verdade? Ninguém sabe ao certo. É apenas mais um mistério que toma forma no mundo do futebol.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 23:18 [+] ::
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:: Sábado, Março 20, 2004 ::

Bebeto de Freitas: a culpa é dele mesmo

O Botafogo e seu presidente não podem reclamar de modo algum do Estadual do Rio de Janeiro. Se o Glorioso chegou à última rodada precisando de uma combinação de resultados é porque faltou competência. Aqui não cabe de modo algum uma ofensa à equipe de Levir Culpi. É, simplesmente, a realidade. Ou perder de 2x0 para a Cabofriense é ou não é falta de competência? A tabela do campeonato foi confeccionada há tempos e somente agora Bebeto de Freitas descobriu que o Botafogo pode ser prejudicado. Tarde demais. Reclamar da tabela era algo para ter sido feito em dezembro. O protesto contra Eduardo Viana deveria ter sido transformado em um voto contra sua reeleição, mas, é bom lembrar, Caixa D´água continua à frente da FERJ por unanimidade. Por isso, caro Bebeto, a culpa também é sua. De nada adianta criticar, ter uma bela retórica e na hora de agir, recuar. Agir. Está aí uma palavra em falta no futebol brasileiro. Que pena.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 00:32 [+] ::
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:: Sexta-feira, Março 19, 2004 ::

Luís Fabiano: atualmente, ele é o cara

Muitos atacantes surgiram no Brasil nos últimos anos. Deivid, Fernando Baiano, Liédson, só para citar alguns. Mas nenhum deles caminha com passos tão firmes para escrever seu nome na história como Luís Fabiano. Pode até não acontecer, mas tem tudo pra dar certo. O atacante são-paulino possui características imprescindíveis a um bom matador: conclui muito bem, com extrema frieza, faz tabelas, é habilidoso e inteligente. Seu único defeito é o cabeceio. Luís, porém, é jovem e pode aprender cada vez mais. Aproveitar as chances de marcar um gol também é determinante para um bom atacante. E Luís Fabiano aproveita a maioria delas, diferentemente dos outros atacantes espalhados para o Brasil. Por isso, merece ser titular na Seleção de Carlos Alberto Parreira, ao lado de Ronaldo. Uma dupla que tem tudo para dar certo. Afinal, atualmente, Luís Fabiano "é o cara".


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 10:46 [+] ::
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:: Quarta-feira, Março 17, 2004 ::

Maurício marca em 89: as saudosas coincidências da mídia

Não tem jeito. Vira e mexe, a mídia esportiva dá um jeito de relembrar campanhas históricas dos clubes de futebol e compará-las com suas equipes atuais. Bastou o Botafogo vencer o Flamengo para ser comentado que, de repente, o Glorioso pode ser campeão tal qual em 89. São inúmeras coincidências que aparecem: o jejum de vitórias em clássicos hoje são os mesmos 20 meses de 89, Alex Alves pode ser o Maurício de 2004, numa hipotética arrancada rumo o título. "É, quem sabe?", indaga o supersticioso alvinegro ao ler a matéria no jornal. Mas estas lembranças não são uma característica inerente ao Botafogo, especificamente. A grande maioria dos clubes tem o seu passado relembrado. O Flamengo, por exemplo, sempre que consegue ocupar a quinta posição na tabela do Campeonato Brasileiro, após duas vitórias consecutivas com gols de pratas-da-casa, repetirá a campanha do pentacampeonato em 1992. E, obviamente, um maestro, tal qual Júnior há 12 anos, é encarregado de comandar o time. E segue sempre desta maneira. Edmundo poderá quebrar novamente o recorde de gols do Brasileiro, a Máquina Tricolor está de volta, o Corinthians lembra o time campeão mundial em 2000. Ledo engano. Campanhas históricas jamais se repetirão. Justamente por terem sido classificadas como tal. São simples e saudosas lembranças no álbum de retrato dos clubes e dos torcedores. O presente, é bom relembrar, está sendo construído agora. Quem sabe alguma campanha histórica já não está em curso?


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 23:14 [+] ::
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:: Terça-feira, Março 16, 2004 ::

Nalbert: desfalque sério em Atenas

Se for comprovada a ruptura do tendão no ombro de Nalbert, Bernardinho terá um sério desfalque para Atenas. Nalbert encarna em quadra o espírito do treinador. Incentiva, grita, organiza, comanda e vive intensamente cada bloqueio, ponto e cortada. Foi assim nas conquistas das Ligas mundiais em 2001 e 2003 e na Copa do Mundo, também em 2003. Sem seu capitão justamente na competição mais importante da "Era Bernardinho", a Seleção Brasileira de vôlei sofre um duro golpe, tanto do lado técnico como do lado psicológico. Para o Brasil vencer, afirma sempre Bernardinho, é preciso jogar sempre no limite. Do contrário, a grande média de altura dos adversários, principalmente os do Leste europeu, será preponderante. A nossa diferença é a vontade de vencer, com garra e determinação, características intrínsecas a Nalbert. Que a sua lesão no ombro não seja tão grande assim e que o Brasil traga o ouro olímpico. Sorte, Capitão!


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 23:51 [+] ::
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Preparo físico no futebol: fundamental

O preparador físico ganhou no futebol atual uma importância tão grande quanto a de um técnico ou de um diretor. É ele que ditará o ritmo, a vontade e a disposição de cada equipe. Não basta ter jogadores excelentes com um preparo físico ruim. Neste caso, tudo irá por água abaixo. O futebol está nivelado graças a essa grande exigência da preparação física da equipe. Assim como no campo existe o craque, fora dele existem muitos preparadores físicos que fazem a diferença. Um exemplo? Fábio Mahseredjian, ex-Flamengo e atual Corinthians. Quando Fábio deixou a Gávea, a equipe rubro-negra corria com disposição até o final dos jogos e chegou a ser campeã do primeiro turno do Campeonato Carioca. Bastou Mahseredjian ir trabalhar com Oswaldo de Oliveira no Corinthians para o Flamengo entrar em declínio e nem chegar às semifinais do segundo turno. A equipe não sentiu a falta de Felipe como todos bradam por aí. Sentiu, na verdade, a falta de Fábio e seus métodos extremamente eficientes. Antônio Mello foi preparador físico do Cruzeiro campeão da Copa do Brasil, dos Campeonatos Brasileiro e Mineiro do último ano e do Corinthians Bicampeão nacional em 98 e 99. Coincidência? Não, apenas puro trabalho e ciência de que ter mais folêgo do que os adversários já é uma enorme vantagem. Lamentavelmente, os dirigentes nunca vêem por este lado. Para eles, quem resolve mesmo é o craque de salário estratosférico. Às vezes, podem até ter razão. Mas bem que poderiam notar o sujeito que senta ao lado do técnico no banco de reservas. Em determinadas situações, segurá-lo no clube é mais importante do que um jogador A ou B.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 00:51 [+] ::
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:: Segunda-feira, Março 15, 2004 ::

Daiane: brilho raro

Daiane dos Santos é mesmo motivo de orgulho para o Brasil. Pode-se não gostar de ginástica olímpica. Pode-se não saber a diferença de uma competição solo para o salto sobre o cavalo. Pode-se não saber o que é um duplo twist carpado. Mas deve-se admirar a única ginasta brasileira que já deu seu nome a um salto, o "Dos Santos". Daiane está no topo do ranking de solo da Federação Internacional de Ginástica, um feito e tanto para quem vive em um país em que o importante é somente o futebol. Ela faz parte do grupo dos brasileiros que brilham muito mais por esforço próprio do que os que contam com os holofotes da mídia e a ajuda dos patrocinadores. Sua mãe, por não ter tv a cabo, nem mesmo pôde ver suas últimas conquistas. Acompanhava os esporádicos flashes pela televisão aberta. Temos agora uma grande esperança de ouro para os Jogos de Atenas, daqui a alguns meses. E mesmo que as sonhadas medalhas não venham, já temos de estar satisfeitos. Valeu, Daiane!


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 22:48 [+] ::
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:: Sexta-feira, Março 12, 2004 ::

Morais: mais uma vítima da ganância dos empresários

Morais é uma bela revelação vascaína. Muita habilidade no pé esquerdo, boa visão de jogo, inteligência nas jogadas, enfim, prometia. Pode ser, porém, que pare no meio do caminho. Morais é uma promessa, ainda é apenas uma promessa. Mas já é também cliente de mais um dos milhares de gananciosos empresários do mundo da bola. O contrato do meia com o Vasco foi encerrado na última semana e lhe foi oferecido um novo, por cinco anos, onde seu salário inicial seria de dez mil reais mensais, com um ajuste de mais dez a cada ano. Morais, muito mal-assessorado, achou pouco e recusou. O clube, logicamente, não cedeu. Afinal, qual cidadão brasileiro possui tal salário? Quase nenhum. E Morais ainda está muito longe de ser, se assim for um dia, considerado craque. Estava apenas ascendendo profissionalmente e faria um ótimo contrato. Foi impedido por sua "assessoria" e entrou na justiça contra o Vasco. Triste. É apenas mais um caso de um belo jogador que se perde no meio da ganância dos empresários. Os clubes precisam de ajuda e é hora de mudar. Quem perde com isso é próprio futebol.


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:: Quinta-feira, Março 11, 2004 ::

Guga: às vezes, falar grosso é necessário

Gustavo Kuerten apresentou o tênis a milhares de brasileiros em 1997, ano de seu primeiro título em Roland Garros. Até então, pouco se falava do esporte no Brasil. A bola maior, de couro, era a grande paixão em vez da amarelinha, um pouco menor. Muitos passaram a acompanhar o calendário da ATP somente para torcer pelo catarinense. Foi a época da "gugamania" no Brasil, e o tênis encontrava ali uma grande chance de se propagar e dar origem a novos "Gugas". Mas a Confederação Brasileira de Tênis, presidida por Nélson Nastás, não aproveitou o momento como deveria. Simplesmente cumprimentou Guga com um tapinha nas costas e um "Parabéns, garoto. Estamos orgulhosos!". Guga queria mais. Queria ver o seu esporte crescer, queria dar um sorriso e saber que várias crianças sabiam o que era uma dupla falta. Mas Nélson Nastás, com a CBT, não ajudou. Administrava de um jeito burocrático. Uma pena. Após a demissão de Ricardo Acioly do posto de capitão da equipe brasileira na Copa Davis, Gustavo Kuerten resolveu falar grosso. Não contra o ex-companheiro Jaime Oncins, substituto de Acioly, mas sim contra Nastás e seus desmandos. Guga abandonou a equipe da Davis e prometeu jamais voltar enquanto Nastás estiver no comando. Foi seguido por Flávio Saretta, André Sá, Ricardo Mello e até Oncins, que entregou o cargo. Guga sacou muito bem a favor do tênis nacional. Um saque que tem tudo para ser transformado em um belo ace.


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Blatter: guerra contra as seleções de aluguel

No mundo da bola, quem diria, a moda agora são as "seleções de aluguel". Joseph Blatter, presidente da FIFA, já avisou que não aceitará tais equipes em uma Copa do Mundo. Mas o Qatar e seus petrodólares não estão nem aí. Já fizeram propostas de um milhão de dólares por ano para que os brasileiros Aílton, Dedê e Leandro sejam naturalizados e levem o país à Copa de 2006. Os três estão estudando as propostas. Esta tentativa dos sheiks do Qatar é lamentável. As seleções são patrimônios de seus paises e não é possível alugá-las para uma ou duas Copas como se fossem simples clubes. Blatter e a toda-poderosa FIFA fazem um bem ao futebol mundial sendo contra esta tentativa e ainda protegem o seu maior tesouro, a Copa do Mundo. Sim, pois uma Copa recheada de seleções de aluguel não teria o menor valor. Afinal, o sentimento de paixão do torcedor por sua seleção não tem preço.


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:: Sábado, Março 06, 2004 ::

Pelé e a lista: confusão desnecessária


Que Pelé e Édson Arantes do Nascimento nunca foram a mesma pessoa, sempre ficou muito claro. Mas como comete erros "o Édson"! E a mais nova polêmica tem como protagonista a lista dos 100 melhores do mundo, feita por ele mesmo, "o Édson". Em primeiro lugar, é estranho que a tal lista dos 100 melhores jogadores do mundo tenha 125 nomes. Já é uma contradição. Mas o pior mesmo é ver que monstros sagrados como Rivellino e Nilton Santos só conseguiram suas respectivas vagas na última hora e, ainda assim, por pressão da imprensa brasileira. Sim, foi explicado que a lista consistia em 60 ex-jogadores vivos e em 60 que ainda estão em atividade. Mas, convenhamos, Édson: Gérson jogou bem mais do que Rivaldo, Nakata e Myung-Bo. Como pode a mágica Seleção de 70 ter somente Carlos Alberto Torres como representante? São fatos como esse que sustentam a lenda de que Pelé soube jogar futebol como ninguém, mas que não entende nada sobre o esporte. Em uma lista hipoteticamente séria, Pelé não deveria tentar agradar a todos e sim colocar os melhores. Sem preocupação alguma caso o Brasil, por exemplo, tivesse 30 representantes dentre os 125, pois se trata do país pentacampeão mundial. A polêmica era desnecessária, assim como a teimosia e a vaidade de Pelé. Afinal, Gérson nunca deixará de ter jogado muito mais do que o francês Marcel Desailly ou o espanhol Luis Enrique. Entende?



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:: Segunda-feira, Março 01, 2004 ::

Valdyr Espinosa: vencido pelo amadorismo

Ao que tudo indica, as máquinas do futebol brasileiro estão emperrando bem antes do previsto. Enquanto o Cruzeiro continua abalado com as saídas repentinas de Luxemburgo e Rivaldo e a derrota para o Atlético-MG, a Máquina Tricolor mergulha em uma crise no Rio. Com a demissão de Valdyr Espinosa, a diretoria tricolor, ciceroneada por Celso Barros, demonstrou que ainda é muito amadora. O Fluminense possui, sem dúvidas, o melhor elenco do Rio de Janeiro e ainda pode conquistar o título estadual. Mas em futebol nem sempre prevalece a lógica. Para obter sucesso é necessário talento mesclado com um trabalho sério. No Flu, sobra talento e falta seriedade. Especular os nomes de Vanderlei Luxemburgo e Ricardo Gomes "de dentro para fora do clube", como disse o próprio Espinosa, às vésperas de um clássico, foi uma verdadeira falta de respeito com o treinador. Se fosse ética, a diretoria do clube demitiria Espinosa antes do clássico e não o "fritaria" até o próprio técnico pedir demissão. O discurso de profissionalismo da "Máquina Tricolor" nem mesmo foi posto em prática. Uma pena. Com tantos craques e uma pequena dose de seriedade o Fluminense poderia se tornar um dos melhores times do Brasil. Ponto para o amadorismo.


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