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:: Quinta-feira, Abril 30, 2009 ::


É bom, mas é ruim. É ruim, mas é bom

Mais um craque de alto quilate volta ao futebol brasileiro. Motivo para soltar fogos? Em parte. Adriano e Fred deveriam estar na Europa, marcando gols em grandes palcos e recebendo o status de estrela. Mas estão aqui. Fred no Fluminense e Adriano, agora, no Flamengo. É ótimo para o futebol brasileiro, mas a maneira como ambos chegaram ao futebol brasileiro coloca o eterno ponto de interrogação sobre a conduta de nossos jogadores. Pois Fred, reserva no Lyon e sem chances, bateu o pé, fez bico até convencer o presidente do clube francês a liberá-lo para o Fluminense. Desejava voltar ao Brasil, à terra-pátria. Teve o desejo atendido e a imagem apagada na Europa, o grande centro do futebol mundial. Adriano fez pior. Chateado na Inter de Milão, perseguido pelos paparazzi, decidiu não voltar mais à Itália mesmo com contrato em vigor por mais um ano. Apelidado de Imperador, com status e salário de estrela tinha ainda muito a dar ao clube italiano. Pois fez como Fred, alegou depressão, afirmou que o abandono do futebol era o seu futuro e teve o desejo de ter o contrato rescindido atendido. Duas semanas depois, acerta com o Flamengo. A imagem na Europa está mais do que arranhada. Investir em um jogador brasileiro não é certeza de retorno garantido. Pelo contrário. Mimado, chateado, enfezado, ele insiste em não cumprir o que assinou e dá de ombros. Robinho fez o mesmo para sair do Real Madrid e está escondido no Manchester City. Com a imagem arranhada. Ter craques do quilate de Fred e Adriano no Campeonato Brasileiro é ótimo. O problema são as circunstâncias em que vieram e a imagem que deixaram. É bom, mas é ruim. É ruim, mas é bom.




Crédito da foto: capa Diário LANCE!
Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 23:52 ::
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:: Terça-feira, Abril 28, 2009 ::

Histeria generalizada

Juan foi histérico ao gritar com Maicosuel após fazer uma falta normal, de jogo. Os jogadores botafoguenses que berraram e peitaram o flamenguistas também apelaram para a histeria. Os defensores do futebol-arte, que choramingam pelos cantos contra a atitude de Juan e chegaram a pôr em dúvida o caráter do lateral-esquerdo com tantas atitudes histéricas. Uma celeuma sem tamanho e sem necessidade diante de uma falta e de um bate-boca numa decisão. É a histeria generalizada que toma conta do futebol brasileiro. Ou por acaso você jamais viu um zagueiro aos berros com um atacante que, descaradamente, cavou um pênalti na grande área e o máximo conquistado foi um cartão amarelo? Futebol é assim, acontece. O desejo que fez veias em pescoços saltarem durante essa semana de tornar a atitude de Juan como a repreensão ao futebol-arte, ao fim dos dribles caiu no patético. Discursos vazios, em vão e tomados por apenas um lance que ocorre tantas vezes em gramados brasileiros, espanhóis ou russos. Pois na partida seguinte do Flamengo Juan recebeu a mesma falta, de maneira dura, que havia cometido em Maicosuel. Driblou outras tantas vezes, sofreu falta e também foi xingado. Caiu, levantou e tentou o drible novamente. Nem por isso os histéricos apareceram, berrando contra o marcador do Fortaleza. Em um lance, Maicosuel virou a essência do futebol brasileiro e Juan, o brucutu que deseja de qualquer maneira pará-lo e jogá-lo para fora das quatro linhas sob fortes ameaças. Nem um nem outro. Tratou-se apenas de um lance de uma decisão como tantos outros mais incisivos que já ocorreram e ainda estão para ocorrer. Opinar do ar-condicionado, questionar o caráter do lateral-esquerdo sem jamais ter vivido uma decisão tão intensa é um pouco demais. E débil. Beira à histeria generalizada de quem ignora o que realmente há de importante no futebol.




Crédito da foto: Agência O Globo
Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 14:30 ::
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:: Domingo, Abril 26, 2009 ::

O pulinho do Fenômeno

A pintura de Ronaldo no primeiro jogo decisivo do Campeonato Paulista encheu os olhos e emocionou muita gente. Aplausos de pé, reverência do Rei Pelé, discussões sobre sua volta à Seleção Brasileira e em torno da plasticidade da jogada. Sim, o Fenômeno voltou a nos dar prazer de assistir aos jogos em que ele está em campo. Mas o gol de Ronaldo tem uma importância além de tudo o que já foi amplamente debatido. Foi apenas um gesto. Quase que um comportamento infantil. No ótimo sentido. Repare bem as reações do Fenômeno ao longo do gol. A arrancada, o drible que desconcertou o zagueiro e o toque sutil por cima de Fábio Costa. Tudo absolutamente genial. Mas nada foi tão denunciante sobre a volta do Maior Artilheiro das Copas do que seu pulinho enquanto a bola rumava para o gol santista. O Fenômeno faz a linda jogada e a arremata, mas, tal e qual um garoto travesso, dá um breve salto e estica o pescoço por trás dos zagueiros santistas, torcendo para que sua obra-prima seja finalizada. Naquela esticadinha de pescoço, no pulinho com jeito de moleque, Ronaldo denunciou: recuperou mesmo o prazer de jogar futebol. Parecia um recém-promovido dos juniores de um time qualquer que faz uma bela jogada, prova seu potencial e se delicia, com carinho, com a trajetória da bola. Há tempos não víamos Ronaldo dar o um espetáculo e torcer por si mesmo, tão descaradamente. Ali não importavam os milhões, não importava se seu status voltaria a ser como antes. Era apenas a magia de jogar futebol como poucos. O prazer de, como nos tempos de Bento Ribeiro, fazer da bola a sua maior alegria.




Crédito da foto: Site Uol
Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 18:18 ::
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:: Sábado, Abril 25, 2009 ::

Que tal preservar a imagem?

Rubens Barrichello sempre foi um dos maiores alvos de críticas e ironias no Brasil e no mundo. Com a iminente aposentadoria, conseguiu um lugar na Brawn GP, um carro surpreendentemente anos-luz na frente dos concorrentes. Mas Barrichello, até agora, não soube chegar no lugar mais alto do pódio, ao contrário de Jenson Button, seu companheiro de equipe. Não satisfeito com a poeira que invade sua viseira durantes as corridas, o que já seria alvo de comentários mordazes, Rubinho anuncia que comprou um lugar numa viagem espacial por R$ 400 mil. Classificou como a investida como "um sonho de criança" que irá se realizar. Nada mais justo, se o piloto tem como bancar tal extravagância e deseja tanto fazer o papel de Neil Armstrong. Mas será que após essa viagem espacial Barrichello se preocupará com sua imagem? O que dirão mundo afora de um piloto que sempre foi adjetivado como lento e que, no fim de sua carreira, decide comprar uma passagem para dar uma volta ao redor do mundo. Rubinho, às vezes, precisa ter mais cuidado com a sua imagem.




Crédito da foto: AP
Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 00:24 ::
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:: Domingo, Abril 19, 2009 ::

Apelido futurístico

Ainda pesado, com alguma dificuldade para dar um pique, Ronaldo provou que, quando embala, é difícil de segurar. Que nos diga o zagueiro Rodrigo, do São Paulo, até agora com a língua para fora após tentar disparar atrás do camisa 9 corintiano no Morumbi. Ronaldo sempre foi prodígio. Foi à primeira Copa do Mundo com apenas 17 anos, tomou os rumos da Europa, fez a fama na Holanda e na Espanha antes de ganhar na Itália o apelido que carregaria pela vida toda: Fenômeno. A mídia da terra da bota deu o apelido, no final da década de 90, pelo que Ronaldo já havia feito em campo. Era um Fenômeno. Mas talvez nenhum outro apelido no meio do futebol tenha sido tão profético. Ronaldo tornou-se, ao pé da letra, um fenômeno de verdade pelo que fez após seu início arrasador na Inter de Milão. Nasceu e renasceu algumas vezes, foi campeão do mundo de novo, maior artilheiro das Copas e agora, com visíveis quilos acima do peso, volta a sair das cinzas, provar que mantém as características dos tempos de glória e ainda é capaz de arrancar na atrás de um zagueiro, chegar na frente, marcar o gol e ser decisivo. Ser, como sempre disseram os futuristas italianos, um verdadeiro Fenômeno.




Crédito da foto: Site Uol
Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 21:57 ::
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:: Sexta-feira, Abril 17, 2009 ::

De repente, o fim do túnel

Aos 36 anos, o próprio Rogério Ceni não é mais nenhum garoto. Pelo contrário. Está longe da exuberância física, por mais dedicado que seja nos treinamentos. Mas as falhas (bisonhas) consecutivas nos últimos jogos culminadas na fratura no tornozelo esquerdo pode ser um alerta para o maior ídolo da história do São Paulo. Bacana o envolvimento e a representatividade para os são-paulinos. São anos de carreira, de dedicação, de partidas inesquecíveis e todos os títulos possíveis conquistados. Qualquer um. De Campeonato Paulista a Mundial de Clubes, só esse três vezes. Caso raro. Mas talvez seja hora de Rogério aproveitar os tantos meses fora de campo, em recuperação, e pensar no futuro. Voltar, jogar apenas seis meses no alto nível e se aposentar. Colabore, Rogério, com o São Paulo fora de campo. Porque tantos craques brilhantes já tivemos no futebol brasileiro, mas há determinados momentos em que o corpo não responde mais. Cansado, cede às pressões exigidas do dia-a-dia. Ceni é realizado, está acima do bem e do mal no Morumbi. Melhor voltar com naturalidade, encarar mais seis meses para uma despedida digna. Do contrário, de repente pode até ser mesmo o fim do túnel.




Crédito da foto: Agência Estado
Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 00:30 ::
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:: Domingo, Abril 12, 2009 ::

Honesto e corajoso

Adriano anunciou que parou com o futebol. Sabe-se lá se irá voltar aos gramados ou não. Certo é que com 27 anos e realizado financeiramente, o Imperador deu um passo impensável para os simples mortais. Não estava com cabeça para a profissão, não tinha sabia o porquê de estar lá, aturando paparazzi italianos e convivendo com a ironia. Foi honesto e corajoso como poucos seriam. Inúmeros craques badalados que já fizeram chover outrora certamente ficaram com o gosto do doce na boca ao ver a atitude de Adriano. O Imperador simplesmente rompeu com tudo: contratos milionários com clubes e patrocinadores e abdicou, ainda que por um momento, do sonho de qualquer criança. E parece exatamente isso: sem apoio, sufocado por inúmeras falácias sobre sua vida pessoal e profissional, Adriano é, hoje, uma criança no mundo da bola. Não quer mais os milhões de euros que qualquer jogador em atividade no Brasil gostaria de ter. Deseja mesmo, como diz a letra de funk, ser feliz, andar tranquilamente na favela onde nasceu. Nada mais justo, nada mais honesto. Que Adriano siga seu rumo e volte um dia a jogar futebol. Se realmente quiser, haverá espaço para isso. Mas que saiba que as críticas serão inevitáveis e os holofotes que o consumiram agora, ainda mais mordazes.





Crédito da foto: Reuters
Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 19:01 ::
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:: Domingo, Abril 05, 2009 ::

Catalisador da reconstrução

A incrível campanha vascaína no segundo turno do Campeonato Carioca resgatou a auto-estima dos torcedores. Mas foi além. Evidenciou que a reconstrução do clube no futebol está de vento em popa. Talvez os resultados não fossem tão rápidos e tão vistosos não fosse a presença de Dorival Júnior no comando da equipe. Sereno, estudioso do futebol e absolutamente concentrado nos seus obejtivos, o treinador conseguiu passar para o clube a calma necessária em momentos de crise. Dorival não absorve os problemas como uma esponja e faz com que cresçam ainda mais e estourem no clube. Pelo contrário. Estuda quais medidas pode tomar par neutralizá-los e tornar o ambiente mais agradável. E até agora tem conseguido isso em São Januário. É obcecado pelo trabalho, mas sabe deixar longe a pressão pelo aparecimento de resultados imediatos. Do monte de cacos que encontrou quando aceitou dirigir o Vasco no ano mais difícil da história centenária do clube, Dorival fez uma montanha de fé e esperança de que a cada jogo, a cada gol, a cada grito emocionado na arquibancada o clube se reerguirá no cenário do futebol nacional. Não fosse Dorival o processo certamente demoraria mais e passaria por mais sofrimento. Mas, de maneira discreta, ele ocupa o lugar de catalisador da reconstrução cruzmaltina.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 19:05 ::
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:: Sexta-feira, Abril 03, 2009 ::

Desfecho tardio e previsível

Nada mais esperado e normal do que a decisão do Flamengo de não renovar o patrocínio com a Petrobras. Nada menos esperado do que a maneira com que o Rubro-Negro se agarrou à estatal nos últimos meses, quando tinha plena consciência de que não iria ter condições legais de receber a verba da parceria. Muitas vezes se alegou fidelidade à parceria que durava desde 1984. Um sentimento bacana essa tal de fidelidade. Mas que não pode conviver com a palavra chamada profissionalismo. Romper com a Petrobras e lançar-se no mercado com plena confiança em sua marca é o que Flamengo já deveria ter feito há tempos. Talvez já estivesse com um patrocínio que liberasse com frequência toda a verba acordada e, consequentemente, seus compromissos já estariam em dia. Exercitar a disputa de empresas pela chance de colocar suas marcas num dos símbolos mais fortes do futebol é decisão acertada, mas previsível e tardia tomada pelo Flamengo.


Dê o seu pitaco!: :: PEDRO HENRIQUE TORRE 00:53 ::
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