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:: Quinta-feira, Maio 07, 2009 ::
Travessura divina
Aos 46 minutos do segundo tempo eles pareciam estar ali em cima, rindo de todos que, aflitos, ainda torciam e não acreditavam na eliminação do vistoso Barcelona da Liga dos Campeões. Gargalharam quando, de cara, Essien marcou o gol que pôs o retrancado time do Chelsea na frente no Stamford Bridge, ao seu gosto para aproveitar apenas as falhas do rival. Lamentavam apenas a ausência do francês Henry em campo, o que certamente deixaria sua brincadeira mais gostosa. Mas decidiram manter o jogo para o mundo todo assistir. Encararam como um acidente de percurso a chance desperdiçada por Drogba na cara de Valdés que dificultaria e muito a vida dos catalães. Uma pitadinha de pimenta no tempero da noite inglesa. O tempo ia passando no relógio. Messi, um de seus filhos mais queridos, a quem reservaram um dos melhores dons que puderam escolher, fazia pouco, bem marcado, como se também fosse um item da travessura. Divertiam-se ao olhar para a arquibancada do estádio e ver alguns rostos barcelonistas incrédulos, com as mãos juntas à cabeça, como que numa prece. Mas também não deixavam de achar graça na soberba de alguns dos ruivos ingleses, todos vestidos de azul, felizes com o esquema implantado por Guus Hiddink que travou a máquina com média de três gols por jogo na Liga dos Campeões. Afeitos a um certo drama, deixaram o árbitro Henning Ovrebo realizar algumas trapalhadas, como a expulsão de Abidal sem nem mesmo encostar em Anelka, e fizeram-no ignorar o empurrãozinho de Daniel Alves em Malouda dentro da área. E continuaram sorrindo. Sabiam qual seria o final, que planejaram com tanto carinho . Por mais que admirassem a aplicação tática do time inglês, era impossível não se deixar encantar por aquele Barcelona do trio de ouro formado por Eto'o, Henry e Messi. E foi justamente com o craque argentino que iniciaram a reviravolta. Deixaram aos 47 minutos, apenas um após sua risada, a bola cair em seu pé, puxar para a esquerda e rolar ali para o meio, onde esconderam Iniesta de todos os Blues para que o arremate fosse perfeito, no ângulo esquerdo de Cech. Explosão no mundo todo, a magia catalã estava viva, o time que tanto deu alegrias ao mundo da bola continuava de pé. A final perfeita aconteceria. Manchester United x Barcelona. Seus dois filhos mais queridos na atualidade, Cristiano Ronaldo x Messi. Satisfeitos, olharam ao redor e viram a satisfação que deram ao admiradores do futebol. Felizes, recostaram nas nuvens, à espera da grande decisão do dia 27 de maio. Quem são eles? Os deuses do futebol.
Crédito da foto: Reuters
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:: PEDRO HENRIQUE TORRE 01:53 ::
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:: Quarta-feira, Maio 06, 2009 ::
Nos braços do mundo
Ele é mesmo marrento. Abusado até. Encara os adversários com um certo desdém, uma observação de canto de olho que chega à empáfia. Mas como joga esse português. Cristiano Ronaldo deu contra o Arsenal mais uma prova de porque é considerado hoje o melhor do mundo. Marcou dois belos gols e carimbou o Manchester United pela segunda vez consecutiva na Liga dos Campeões. Não é à toa que a maioria dos garotos no Brasil pode até nem acompanhar muito bem o Manchester na temporada europeia. Mas certamente eles têm em seus armários uma camisa de Cristiano Ronaldo. O gajo encanta com seus dribles desconcertantes, suas arrancadas de tirar o fôlego e o chute que faz a bola rasgar o ar de forma imprevisível. Farto estamos de ouvir que o português não é decisivo, falhou na decisão de pênaltis da decisão da Liga dos Campeões no ano passado. Bobagem. A vontade que ele mostra e o ar de quem diz "é apenas um jogo" após marcar um gol na semifinal da Liga dos Campeões diz porque o camisa 7 do Manchester United ganhou o mundo.
Crédito da foto: Reuters
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:: PEDRO HENRIQUE TORRE 02:14 ::
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:: Segunda-feira, Maio 04, 2009 ::
O último estágio
A grafia na parte de trás da camisa 1 do Flamengo diz Bruno Souza. Mas o rapaz com envergadura impressionante e saltos rumo à bola que assustam só de ver atende também pelo simples chamado de Bruno. Assim mesmo, sem sobrenome. Mais uma vez, ele foi o destaque em uma final de campeonato. Rompeu barreiras, tomou pra si os holofotes que geralmente costumam ser dos atacantes. Insistemente, a arquibancada e parte da crítica pedem a convocação de Bruno para a reserva de Júlio César na Seleção Brasileira. Tecnicamente, Bruno já deveria estar lá. Mas ali com os seus botões o técnico Dunga certamente pensa no equilíbrio emocional do goleiro. Não que o goleiro rubro-negro costume sair dos eixos em momentos decisivos. A decisão de pênaltis do último domingo está aí exatamente para mostrar o contrário. Mas Bruno leva o futebol com tanta calma que às vezes beira a irresponsabilidade. Não raro em jogos do Flamengo, recebe o recuo de um zagueiro e, com os pés, se põe a fazer graças com a bola, a driblar o adversário de maneira desconcertante ou com um breve lançamento que, por pouco, não para nos pés rivais. Falta essa correção ao goleiro. Basta fazer o simples com os pés porque já é brilhante com as mãos. Quando entender não ser necessário fazer graça durante um jogo, Bruno certamente chegará à Seleção Brasileira e aprenderá lá com Júlio César que o caminho é sempre assim. Até porque o próprio Júlio, com a mesma camisa 1 do Flamengo, também fez história e insistia em, vez em outra, brincar com os pés. Como faz Bruno. Quando se conscientizou que o dom que o diferenciava de todos estava nas mãos, nos saltos impressionantes e nas defesas com reflexo e arrojo, Júlio César amadureceu e viu a vaga de titular da maior seleção do mundo finalmente repousar em seu colo. Falta, ainda, este estágio para Bruno.
Crédito da foto: Agência O Globo
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:: PEDRO HENRIQUE TORRE 12:55 ::
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Caminhos que se encontram
Apenas uma breve distância de dias, entre o finzinho de 2007 e o comecinho de 2008, separou os mais profundos sofrimentos de Corinthians e Ronaldo. O Timão encarou a pior página de sua história com o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. O Fenômeno, já contestado e criticado, viu o joelho vacilar mais uma vez. Fundo poço, semblante pesado, dúvida sobre o futuro. Apenas por um momento. No restante de 2008, ambos puseram a cara a tapa e buscaram o caminho da recuperação, sem desistir. O Corinthians apoiado pela massa de torcedores que o faz ser o gigante que é. Ronaldo com o carinho do povo que tanto comemorou seus gols em Copas do Mundo e engrossou o coro fenomenal. Ninguém acreditava num retorno tão rápido, tão inesperado e com sucesso imediato. De ambos. Já purificados por tanta dor, veio o início do namoro, ainda longe dos holofotes. Enfim, o casamento que fez bem aos dois. Para voltar ao seu status de grande, o Corinthians precisava de alguém como Ronaldo. Para voltar ao seu status de Fenômeno, Ronaldo precisava de um clube como o Corinthians. Tudo certo, o início foi devastador, já com o gol sobre o arquirrival Palmeiras. Euforia, parceria perfeita, êxtase com a nova fase do atacante e do Corinthians. O título paulista conquistado de forma invicta, com Ronaldo como craque do campeonato, só veio comprovar a voz das arquibancadas. As trajetórias de Ronaldo e Corinthians se encontraram, caminharam lado a lado. Ambos voltaram
Crédito da foto: Globoesporte.com
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:: PEDRO HENRIQUE TORRE 12:52 ::
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:: Domingo, Maio 03, 2009 ::
A bola pune e ironiza
Volte alguns meses na memória. Relembre a torcida do Botafogo, logo após o título da Taça Guanabara, cantando "Vice é o Cuca" a plenos pulmões no Maracanã. Lembre também a cara de angústia do treinador do Flamengo e o seu singelo aviso "Lá no final eu posso ser campeão e eles, vice". Alexi Stival, o Cuca, avisou. E a torcida do Botafogo compreendeu de maneira amarga o que invariavelmente acontece com quem vira as costas para quem o tratou com tanto carinho. Cuca chegou ao Botafogo em 2006, fez um belo trabalho, virou ídolo, deu ao time de novo o poder para ser considerado o de mais belo jogo do Brasil e ser até respeitado. Criou uma relação especial e foi o último protagonista da reestruturação do clube alvinegro pós-rebaixamento de 2002. E de repente, sem mais nem menos, foi tratado com desrespeito por vários torcedores afoitos pela conquista de um turno. Assim como ele já havia conquistado dois turnos nos anos anteriores, pelo mesmo Botafogo. Flamengo campeão carioca sobre o Alvinegro, título consumado, Cuca sem o estigma de vice que já foi do Vasco e agora paira sobre General Severiano. Com o apito final, o treinador saiu correndo, abraçou alguns dirigentes no gramado e apertou o passo, correndo em direção a algum lugar. A lugar algum. E enxugou lágrimas que começavam a correr pelo rosto. Rapidamente se recompôs, viu microfones em sua frente e a chance de dar a resposta atravessada que estava em sua garganta. Com elegância, dispensou o ataque aos botafoguenses que sofriam com mais um vice na arquibancada. Sabe como é sentir a dor de se apontado como um time, um profissional do quase. Manteve-se quieto, comemorou apenas seu título. Nesse momento, sabia que palavras não eram mais necessárias. Muricy Ramalho, técnico do São Paulo, já disse: a bola pune. E, cruel, também ironiza.
Crédito da foto: Agência O Globo
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:: PEDRO HENRIQUE TORRE 19:40 ::
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:: Sábado, Maio 02, 2009 ::
A magia catalã
Há algo de diferente naquelas camisas coloridas com azul e grená. De tempos em tempos, o Barcelona presenteia o mundo com esquadrões memoráveis, que formam e encantam gerações de adoradores de futebol. Há 15 anos, Stoitchkov, Koeman, Hagi, Romário e companhia faziam a alegria do mundo da bola. Era o mais belo time do mundo, apesar de derrotado pelo Milan em uma final da Liga dos Campeões. A magia do Camp Nou transcende gerações, estupefatas com o brilho e a plasticidade das jogadas do Barça. Não se trata apenas de um clube, uma torcida por um título, uma bela jogada. Ser torcedor do Barcelona é um estado de espírito, a essência da alma catalã transfigurada em 11 jogadores. Há cinco anos, foi a vez de o esquadrão ser composto por Deco, Ronaldinho e Eto´o. Assistir a esse time era um simples deleite, com a certeza boas jogadas, atuações soberbas e entender o porquê de o futebol abarrotar multidões em todo o mundo. É sinônimo de arte. A última travessura do clube catalão aconteceu hoje. A quilômetros de distância do Camp Nou, mas com um gosto ainda melhor. Na casa do maior rival, o Real Madrid, um baile. Messi, Henry e Eto´o hoje mantiveram a tradição de encantar o mundo. Goleada de 6 a 2, a alegria catalã estampada no rosto de cada torcedor nas ruas de Barcelona ou no rosto do argentino Messi. É a magiã catalã.
Crédito da foto: Reuters
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:: PEDRO HENRIQUE TORRE 23:16 ::
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:: Sexta-feira, Maio 01, 2009 ::
Ayrton Senna: saudade do mito
O texto abaixo foi publicado neste mesmo blog, há exatos cinco anos. Falava um pouco sobre os dez anos da morte de Ayrton Senna da Silva. Hoje, lá se vão 15 anos. Como o tempo passa, eterno campeão. As palavras abaixo valem ainda hoje. E para sempre. Basta substituir a contagem da saudade. Aí embaixo eram dez. Agora são quinze. Mas a saudade não para jamais.
Chegou. Depois de dez anos de espera e de suposições, primeiro de maio de 2004 chegou. Há dez anos a Williams FW16, número dois, se chocava contra um muro na curva Tamburello, em Ìmola, Itália. A F-1 via ali o fim de uma era, a era Senna. Que saudade. E que pena. Pena de quem tinha dois, três ou quatro anos de idade em 1994 e tem apenas uma vaga lembrança de quem era aquele brasileiro do capacete amarelo que brilhava intensamente nas pistas do mundo e não sabe o quão prazeroso era assistir, vibrar e torcer por Ayrton Senna. Engraçado notar que o Senna que morreu em 1994 se tornou o mito Ayrton dez anos depois. O sobrenome ainda é bastante lembrado, mas grande parte dos torcedores ao se referir ao piloto hoje em dia o chama, qual um afago na própria memória, pelo primeiro nome, Ayrton. Simplesmente. É a prova do grau de intimidade que o piloto conseguiu ter com os brasileiros. Fazia, fez e sempre fará parte da minha, da sua vida. Dez anos depois são inúmeras as suposições sobre o futuro de Senna se não houvesse a Tamburello: e se ele ainda pilotasse, o que seria de Schumacher hoje? Um piloto bi ou tricampeão, quem sabe, eu responderia. Porque por mais recordes que Schumacher bata, jamais completará uma primeira volta como a "maior volta de todos os tempos da F-1" em Donington, 1993. Jamais fará uma corrida como a do Japão, em 1988, quando o carro engasgou na largada e Senna viu sua pole se transformar em um 17º lugar e essa dificuldade se tornar uma vitória e um título. Porque Schumacher jamais terá o genial Alain Prost na mesma equipe, com o mesmo equipamento e, ainda assim, travar duelos inesquecíveis. Porque Schumacher jamais vencerá uma corrida em sua terra natal somente com uma marcha nas últimas dez voltas e, ao cruzar a linha de chegada, comemorará com urros e lágrimas tão intensas dentro do cockpit. Jamais duvide do que Ayrton Senna ainda seria capaz se não encontrasse a Tamburello em seu caminho. Jamais. Porque Senna ainda vive nos milhares de corações brasileiros, nas milhares de lembranças de uma ou outra corrida, ultrapassagem, vitória ou título. Vive por tudo que foi, tudo que deixou e por transcender a este mundo. Vive porque deixa imensas saudades nas manhãs de Domingo, especialmente. Dez anos depois, ao pensarmos no acidente, ainda nos dá um aperto no peito e perguntamos "por quê logo ele?" Grandes saudades, campeão. Deus sabe o que faz.
Confira aqui a série de três reportagens sobre Ayrton Senna
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:: PEDRO HENRIQUE TORRE 12:44 ::
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